Quando o sexo começa a parecer uma prova
Em alguns momentos, a experiência sexual deixa de ser vivida com espontaneidade e começa a ser acompanhada por perguntas constantes.
“Será que vou conseguir?”, “Será que meu corpo vai responder?”, “E se acontecer novamente?” ou “Será que a outra pessoa vai perceber?” podem se tornar pensamentos recorrentes.
Quanto maior a tentativa de controlar aquilo que deveria acontecer, mais difícil pode ser permanecer presente na própria experiência.
É nesse contexto que a ansiedade de desempenho sexual pode aparecer.
A mente tenta controlar aquilo que o corpo precisa sentir
Pessoas muito racionais frequentemente tentam resolver dificuldades sexuais da mesma maneira que resolveriam outros problemas: analisando, antecipando possibilidades e buscando uma resposta lógica.
O problema é que desejo, prazer, excitação e intimidade não dependem apenas de compreensão racional.
É possível compreender racionalmente que não existe motivo para ficar nervoso e, ainda assim, perceber o corpo reagindo de outra maneira.
O corpo também responde ao nível de segurança, às emoções, às experiências anteriores e à forma como aquele momento é percebido.
O ciclo da ansiedade de desempenho
A preocupação pode criar um ciclo de expectativa, vigilância, ansiedade, alteração da resposta corporal, frustração e uma nova expectativa para a próxima experiência.
Depois de algumas situações desconfortáveis, a pessoa pode começar a observar constantemente o próprio corpo durante a relação.
Em vez de perceber sensações, afeto e conexão, passa a verificar se está tendo a resposta considerada “correta”.
Essa vigilância pode aumentar ainda mais a pressão.
Não é apenas uma questão de desempenho
A ansiedade também pode estar relacionada ao medo de decepcionar a parceria, insegurança com o próprio corpo, experiências sexuais anteriores, autocobrança e dificuldade de lidar com vulnerabilidade.
Expectativas relacionadas à masculinidade ou feminilidade, dificuldades presentes na relação, medo de perder o controle e crenças construídas ao longo da vida também podem atravessar a experiência sexual.
Cada pessoa possui uma história diferente. Por isso, olhar somente para o sintoma pode deixar de fora aspectos importantes para compreender o que está acontecendo.
Como a terapia sexual pode contribuir
Na terapia sexual, o objetivo não é simplesmente encontrar uma técnica para “funcionar melhor”.
O processo pode ajudar a compreender o que acontece antes, durante e depois das situações que provocam ansiedade.
Isso envolve perceber pensamentos, emoções, sensações corporais, expectativas e padrões que se repetem.
A partir dessa compreensão, torna-se possível desenvolver uma relação menos automática e menos baseada em cobrança com a própria sexualidade.
Razão, emoção e corpo precisam conversar
A experiência sexual acontece justamente no encontro dessas dimensões.
A razão ajuda a compreender. As emoções mostram como determinada situação é vivenciada. E o corpo expressa respostas que nem sempre conseguimos controlar conscientemente.
“O processo terapêutico busca criar espaço para que razão, emoções e corpo possam ser compreendidos em conjunto.
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